| Avarento |
| João de Deus | |
|
Puxando um avarento de um pataco para pagar a tampa de um buraco que tinha já nas abas do casaco, levanta os olhos, vê o céu opaco, revira-os fulo e dá com um macaco defronte, numa loja de tabaco, que lhe fazia muito mal ao caco! Diz ele então na força da paixão: - Há casaco melhor que aquela pele? Trocava o meu casaco por aquele... e até a mim... por ele. Tinha razão quanto a mim. Quem não tem coração, quem não tem alma de satisfazer as niquices da civilização homem não deve ser: seja saguim, que escusa tanga, escusa langotim. Vá para os matos; já não sofre tratos a calçar as botas, a comprar sapatos. Viva nas tocas como os nossos ratos e coma cocos, que são mais baratos! |
|