| Esplêndida |
| Cesário Verde | |
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Ei-la! Como vai bela! Os esplendores Do lúbrico Versailles do Rei-Sol Aumenta-os com retoques sedutores. É como o refulgir dum arrebol Em sedas multicores. Deita-se com languor no azul celeste Do seu landau forrado de cetim; E os seus negros corcéis que a espuma veste, Sobem a trote a rua do Alecrim, Velozes como a peste. É fidalga e soberba. As incensadas Dubarry, Montespan e Maintenon Se a vissem ficariam ofuscadas Tem a altivez magnética e o bom-tom Das cortes depravadas. É clara como os pós à marechala, E as mãos, que o Jock Club embalsemou, Entre peles de tigres as regala; De tigres que por ela apunhalou, Um amante, em Bengala. É ducalmente esplêndida! A carruagem Vai agora subindo devagar; Ela, no brilhantismo da equipagem, Ela, de olhos cerrados, a cismar Atrai, como a voragem! Os lacaios, vão firmes na almofada; E a doce brisa dá-lhes de través Nas capas de borracha esbranquiçada, Nos chapéus com roseta, e nas librés De forma aprimadora. E eu vou acompanhando-a, corcovado, No trottoir, como um doido, em convulsões, Febril, de colarinho amarrotado, Desejando o lugar dos seus truões, Sinistro e mal trajado. E daria, contente e voluntário, A minha independêndcia e o meu porvir, Para ser, eu poeta solitário, Para ser, ó princesa sem sorrir, Teu pobre trintanário. E aos almoços magníficos do Mata Preferiria ir, fardado, aí, Ostentando galões de velha prata, E de costas voltadas para ti, Formosa aristocrata! |
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