| Cinismos |
| Cesário Verde | |
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Eu hei-de lhe falar lugubremente Do meu amor enorme e massacrado, Falar-lhe com a luz e a fé dum crente. Hei-de expor-lhe o meu peito descarnado, Chamar-lhe minha cruz e meu Calvário, E ser menos que um Judas empalhado. Hei-de abrir-lhe o meu íntimo sacrário E, desvendar a vida, o mundo, o gozo, Como um velho filósofo lendário. Hei-de mostrar, tão triste e tenebroso, Os pegos abismais da minha vida, E hei-de olhá-la dum modo tão nervoso, Que ela há-de, enfim, sentir-se constrangida, Cheia de dor, tremente, alucinada, E há-de chorar, chorar enternecida! E eu hei-de, entáo, soltar uma risada... |
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