| O Século |
| Castro Alves | |
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O séc'lo é grande... No espaço Há um drama de treva e luz. Como o Cristo — a liberdade Sangra no poste da cruz. Um corvo escuro, anegrado, Obumbra o manto azulado, Das asas d'águia dos céus... Arquejam peitos e frontes... Nos lábios dos horizontes Há um riso de luz... É Deus. Às vezes quebra o silêncio Ronco estrídulo, feroz. Será o rugir das matas, Ou da plebe a imensa voz?... Treme a terra hirta e sombria... São as vascas da agonia Da liberdade no chão?... Ou do povo o braço ousado Que, sob montes calcado, Abala-os como um Titão?!... Ante esse escuro problema Há muito irônico rir. P'ra nós o vento da esp'rança Traz o pólen do porvir. E enquanto o cepticismo Mergulha os olhos no abismo, Que a seus pés raivando tem, Rasga o moço os nevoeiros, P'ra dos morros altaneiros Ver o sol que irrompe além. (...) Luz!... sim; que a criança é uma ave, Cujo porvir tendes vós; No sol — é uma águia arrojada, Na sombra — um mocho feroz. Libertai tribunas, prelos... São fracos, mesquinhos elos... Não calqueis o povo-rei! Que este mar d'almas e peitos, Com as vagas de seus direitos, Virá partir-vos a lei. Quebre-se o cetro do Papa. Faça-se dele — uma cruz! A púrpura sirva ao povo P'ra cobrir os ombros nus. Que aos gritos do Niagara — Sem escravos, — Guanabara Se eleve ao fulgor dos sóis! Banhem-se em luz os prostíbulos, E das lascas dos patíbulos Erga-se a estátua aos heróis! Basta!... Eu sei que a mocidade É o Moisés no Sinai; Das mãos do Eterno recebe As tábuas da lei! — Marchai! Quem cai na luta com glória, Tomba nos braços da História, No coração do Brasil! Moços, do topo dos andes, Pirâmides vastas, grandes, Vos contemplam séc'los mil! |
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