| II - Presente de Anos |
| Olavo Bilac | |
|
Diz à mulher o Vicente: — "Tu não achas, meu amor, Que hoje, anos do professor, Devemos dar-lhe um presente?" — "Com certeza, ele é tão bom, Trata tão bem o Juquinha... Já era lembrança minha, Mandarmos, que é do bom tom." — "Que deve ser? Vamos, fala: Um bom livro, alguma jóia, Aquele quadro de Goya, Um cachimbo, uma bengala...?" E discutem, todo o almoço, Que presente deve ser; E já, de tanto escolher, Vão formando um alvoroço. Juquinha, que escuta quieto, Tão tola e simples questão, Pra acabar a discussão, Apresenta este projeto: — "Nada de presentes finos. Dêem cousa que mate a fome: Que ele é tão pobre, que come Nas panelas dos meninos." |
|