| Lira XIX |
| Tomas Antônio Gonzaga | |
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Nesta triste masmorra, de um semivivo corpo sepultura, inda, Marília, adoro a tua formosura. Amor na minha idéia te retrata; busca, extremoso, que eu assim resista à dor imensa, que me cerca e mata. Quando em meu mal pondero, então mais vivamente te diviso: vejo o teu rosto e escuto a tua voz e riso. Movo ligeiro para o vulto os passos; eu beijo a tíbia luz em vez de face, e aperto sobre o peito em vão os braços. Conheço a ilusão minha; a violência da mágoa não suporto; foge-me a vista e caio, não sei se vivo ou morto. Enternece-se Amor de estrago tanto; reclina-me no peito, e com mão terna me limpa os olhos do salgado pranto. (...) |
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