| Lira V |
| Tomas Antônio Gonzaga | |
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Eu não sou, minha Nise, pegureiro, que viva de guardar alheio gado; nem sou pastor grosseiro, dos frios gelos e do Sol queimado, que veste as pardas lãs do seu cordeiro. Graças, ó Nise bela, graças à minha Estrela! A Cresso não igualo no tesouro; mas deu-me a sorte com que honrado viva. Não cinjo coroa d'ouro; mas Povos mando, e na testa altiva verdeja a Coroa do Sagrado Louro. Graças, ó Nise bela, graças à minha Estrela! Maldito seja aquele, que só trata de contar, escondido, a vil riqueza, que, cego, se arrebata em buscar nos Avós a vã nobreza, com que aos mais homens, seus iguais, abata. Graças, ó Nise bela, graças à minha Estrela! As fortunas, que em torno de mim vejo, por falsos bens, que enganam, não reputo; mas antes mais desejo: não para me voltar soberbo em bruto, por ver-me grande, quando a mão te beijo. Graças, ó Nise bela, graças à minha Estrela! Pela Ninfa, que jaz vertida em Louro, o grande Deus Apolo não delira? Jove, mudado em Touro e já mudado em velha não suspira? Seguir aos Deuses nunca foi desdouro. Graças, ó Nise bela, graças à minha Estrela! Pretendam Anibais honrar a História, e cinjam com a mão, de sangue cheia, os louros da vitória; eu revolvo os teus dons na minha idéia: só dons que vêm do céu são minha glória Graças, ó Nise bela, graças à minha Estrela! |
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